Ex-senadora Marina Silva posta na rede social Facebook sua opinião sobre a Vitória de Emmanuel Macron na França

A vitória de Emmanuel Macron, na França, reforça a esperança de que não estamos fatalisticamente à beira de uma era de trevas, populista-conservadora e portadora da derrocada de valores humanistas, sociais e ambientais duramente conquistados desde o século passado e dos quais não podemos prescindir.

A eleição de Macron sinaliza para o deslocamento da velha dualidade esquerda/direita, modernamente traduzida na sua mais lamentável expressão – a mera disputa do poder pelo poder.

A eleição francesa foi além dos polos concorrentes, dos recortes partidários. Essa polarização ainda restringe a democracia em muitos países importantes, como se pode ver em seu simulacro no sistema político brasileiro, nos últimos 20 anos.

Assim como ocorreu na Holanda, mas com maior repercussão, foi um enfrentamento em defesa de um futuro de possibilidades para o ciclo virtuoso da humanidade, para o limiar de um novo patamar civilizatório. Isso porque a perversa manipulação do drama dos refugiados, embricando-o com terrorismo e diferenças raciais e religiosas, simboliza bem a alternativa de caminhos para além de uma única eleição, de um único partido, de um único nome.

É uma escolha entre caminhos para a humanidade: restringir e segregar ou acolher e enfrentar as diferenças.

Como dizia a psicopedagoga argentina Alicia Fernandes, optar é ficar no limite entre dois polos já constituídos anteriormente, conformando-se com o que parece menos ruim; escolher é ter a liberdade de decidir-se pelo que ainda não existe e criar um novo caminho.

Torço para que a vitória de Macron seja o sopro que faltava para espantarmos o medo de um mundo mais embrutecido e separacionista, o início de um novo ciclo para a França e uma mostra de que há outros caminhos surgindo e novas escolhas são possíveis em todo o mundo.